KKKK faz 100 anos e Sesc Registro-SP celebra com programação especial KKKK faz 100 anos e Sesc Registro-SP celebra com programação especial - Registro-SP

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KKKK faz 100 anos e Sesc Registro-SP celebra com programação especial

Prédio inaugurado em 1922 e tombado como patrimônio histórico é símbolo da colonização japonesa no Vale do Ribeira. Sesc Registro-SP, que ocupa o espaço desde 2016, celebra suas histórias e memórias.

Um prédio que mistura beleza arquitetônica, muitas histórias e memórias. O cartão-postal mais famoso da cidade de Registro. Uma edificação que está presente em velhos álbuns familiares de fotografias, em memoriais, artigos acadêmicos, livros e guias históricos e de turismo, e que faz parte das lembranças dos antepassados e das pessoas que ainda hoje vivenciam momentos em suas instalações e cenário.


É o KKKK, como é conhecido o prédio-símbolo da colonização japonesa no Vale do Ribeira, o conjunto arquitetônico tombado como patrimônio histórico e que está completando um século neste ano de 2022. E para comemorar, o Sesc Registro-SP – instituição que ocupa o local desde 2016 - preparou uma programação especial que se estenderá pelos próximos meses, com atividades distribuídas em mesas de debates, oficinas, vivências, espetáculos, lançamentos de materiais alusivos ao centenário, além de visitas guiadas e tours virtuais pelo prédio, entre outras ações.

O objetivo da celebração é aproximar ainda mais a população do Vale do Ribeira desse espaço histórico, que guarda acontecimentos do passado e está de portas abertas para criar e abrigar novas memórias. “São muitas histórias que permeiam os 100 anos do KKKK: das marcas da colonização e da trajetória da comunidade japonesa no Vale do Ribeira, passando pelas relações de diversas outras comunidades tradicionais do território com o prédio, com o rio Ribeira de Iguape e todo seu entorno, até chegar às histórias que estão sendo construídas agora e as que ainda serão contadas, são muitas lembranças e afetos presentes neste centenário”, afirma a gerente do Sesc Registro-SP, Débora Rodrigues Teixeira.


O convite do Sesc Registro-SP, continua a gerente, é para que o público do Vale do Ribeira conheça mais sobre o conjunto histórico-cultural e sua importância para as comunidades locais, aprecie a beleza arquitetônica do prédio e tenha orgulho de pertencer ao lugar que conta com um patrimônio tão rico e preservado. “Convidamos as pessoas a compartilharem memórias e percepções sobre o KKKK e a fazer parte da construção de novas histórias, reais e ficcionais, por meio das diversas atividades artísticas, educativas e culturais que o Sesc Registro-SP vai oferecer nos próximos meses”.

Programação


O coordenador de programação do Sesc Registro João Doescher conta que, por meio de diferentes linguagens e formatos de ações, a programação especial do centenário propõe celebrar e discutir temas que perpassam as múltiplas facetas que envolvem o KKKK: a arquitetura e aspectos construtivos, a conexão com o rio Ribeira de Iguape, o vínculo com a história da imigração japonesa no Brasil, a relação das comunidades do território do Vale do Ribeira com o espaço, os acontecimentos e personagens que o KKKK testemunhou ao longo do tempo, a correlação com o patrimônio imaterial do Vale do Ribeira, o resgate do imaginário do que foi, do que é e do que será o prédio nos próximos 100 anos.



Iniciando em julho, as comemorações trazem à cena o trabalho de diversos artistas e profissionais da região, como a artista gráfica e designer Carla Takushi, os músicos do grupo Confraria Pé no Palco – Bruna Rosa, Fábio Tognin, Elaine Moura, Henrique Carneiro, Marili Correia, Felipe Reis e Guilherme Ribeiro -, além de representantes de comunidades japonesa, quilombola e indígena, entre outros convidados. Filhos da terra cujo trabalho se expandiu para o mundo também participam do evento comemorativo, a exemplo do fotógrafo e educador Miguel Chikaoka, autor das fotos que vão compor a coleção de cartões-postais sobre o KKKK e sua relação com o território.

Em destaque na programação de julho: mesa de debate “KKKK: 100 anos de história e arquitetura”, com a presença dos arquitetos Marcelo Ferraz, Hugo Segawa e Akemi Hijioka; oficina “Narrativas em Linhas”, em que a técnica da Line Art será desenvolvida utilizando contextos do KKKK e seu entorno; projeto musical “Arvorar”, que investiga canções ligadas às ancestralidades e identidades; o espetáculo “Reza o Rio”, que contempla diversas referências ao Vale do Ribeira em suas músicas e poemas; e o “Mosaico de Saberes: Especial 100 anos de história”, onde estarão expostas produções artesanais e alimentares das comunidades japonesa (Sítio Shimada), quilombola (Quilombo Peropava) e indígena (Aldeia Itapu Mirim) de Registro.

Visitas guiadas e virtuais ao prédio centenário também estarão disponíveis a partir de julho. No “Audiotour Ficcional”, as pessoas vão poder caminhar por vários espaços da unidade do Sesc ouvindo histórias reais da construção do prédio, além de contos e lendas da cidade e da região. Já a “Vivência Virtual: Tour 360º” será uma boa opção para quem quer conhecer todos os ângulos e ambientes do Sesc Registro sem sair de casa.

Sobre o KKKK e o Sesc Registro-SP


Implantado em 1922 à margem do rio Ribeira de Iguape e próximo ao porto fluvial da então “freguesia” de Registro, o conjunto arquitetônico KKKK funcionou como sede da Companhia Ultramarina de Desenvolvimento, nome em português da Kaigai Kogyo Kabushiki Kaisha (KKKK), empresa criada no Japão para apoiar os imigrantes japoneses que chegavam ao Vale do Ribeira no início do século 20.

Além dos serviços administrativos, o complexo KKKK - formado por quatro galpões de armazenamento e um edifício com engenho de beneficiamento de arroz e equipamento de calderaria - deu suporte aos processos produtivos e à comercialização da produção agrícola dos imigrantes. O espaço testemunhou uma etapa importante da colonização japonesa e funcionou até o final dos anos 1930, quando teve suas atividades suspensas por conta do início da guerra. Tempos depois, o engenho voltou a funcionar sob nova administração e nos galpões eram realizadas atividades sociais e culturais.

Por seu valor histórico e cultural, o conjunto foi tombado em 1987 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat), e em 2010 pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (IPHAN). Desapropriado pela Prefeitura de Registro em 1990, o prédio foi restaurado no início dos anos 2000 com projeto do Brasil Arquitetura, escritório dos arquitetos Marcelo Ferraz e Francisco Fanucci. Após o restauro, o complexo abrigou um centro estadual de formação de professores, instituições educacionais e o Memorial da Imigração Japonesa do Vale do Ribeira.

Desde 2016 o Sesc Registro ocupa o conjunto KKKK, fortalecendo o local como um centro cultural e espaço educador que oferece uma série de atividades artístico-culturais, esportivas, educacionais e de lazer para todos os públicos do Vale do Ribeira.

KKKK faz 100 anos e Sesc Registro-SP celebra com programação especial
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Crédito das fotos:



Fotos: Sesc Registro-KKKK: Márcio Shimamoto



Foto KKKK antiga: Katsuki Aoki/Acervo de Wagner Assanuma

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